Bem, aqui vamos nós novamente, não para relatar os meus excessos, nem minhas contrariações.
Hoje o relato é triste, eu perdi alguém pra sempre!
Vovó Carmen, ou vovó carne, como a chamava quando era pequena.
O sábado era p ser como todos os outros, iria acordar um pouco mais tarde. Banho, café, trabalho, casa de mozi, e possivelmente sorveteria.
Minha mãe entra no quarto, abre a janela e deixa a claridade entrar, passa a mão no meu rosto, ao abrir os olhos me diz: " Vovó não está mais entre nós."
Eu queria ser forte, como sou diariamente. Me manti fria por alguns instantes, enquantos todos tinham pressa, eu me arrumava com calma.
Ao chegar ao velório, os óculos escuros já não conseguiam esconder o tamanho sentimento. Sem ainda descer do carro, ao ver a coroa de flores na frente da casa, chorei!
Não cumprimentei a ninguém, sou um pouco fechada, ou como dizem, metida, arrogante.
Abracei o caixão , como se tivesse ainda abraçando-a. Chorei por horas, alí , em pé, na mesma posição de chegada. Passava a minha mão, naquele vidrinho, como se tivesse acariciando o seu rostinho, tão sereno, parecendo até que estava dormindo. A todo momento me vinha a memória uma cena especifica.
No dia em que a fui visitar, me abraçou tão forte, e me disse ao pé do ouvido: " Não abandone a vovó não filhinha." Era o meu compromisso com ela. E estava lá para cumpri-lo.
Passei o dia inteiro lá, ao lado dela, não quiz nem almoçar. Aguentei até as 16:00 horas, não quiz a ver sendo colocada no túmulo.
E agora o que resta é só saudade.
Ouvi-la dizer: Odeio Claudia Leite, e vc filhinha?
Também vó, prefiro a Ivete.
Te amo muito, e não vou te abandonar, como havia prometido.

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